quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

João Carlos Sampaio resenha nosso filme 'Nego'

João Carlos Sampaio, o crítico mais atuante em jornalismo impresso na Bahia, apresenta o filme 'Nego', apenas 1 dos componentes do DVD de Marko Ajdaric, 'Marko & Things', que sai até abril.

A grandeza de um pequeno filme

Três minutos para radiografar Teodoro Sampaio, homem de muitas facetas; pensador, geógrafo, historiador, engenheiro e escritor. Filho de escrava com padre, homem que se fez por si mesmo, que alforriou seus irmãos de sangue e deu régua e compasso para a criação de um tratado social possível para o país. Um personagem ímpar, nome que batiza duas cidades, que é perfilado com arte em 'Nego', um instantâneo inspirado, forjado pelas mãos da dupla Marko Ajdaric e Sávio Leite.

A composição da dupla é tão simples quanto eficiente. e de uma fala depoimento de Ajdaric, mostrado num preto e branco que se harmoniza com as imagens de duas novelas gráficas. A brasileira Chibata!, de Olinto Gadelha Neto e Hemetério, sobre a histórica rebelião do início do século, e King of Nekrópolis, do croata Danijel Zezelj, uma trama policial que impressiona pela força das imagens, são folheadas para ilustrar o discurso sobre o biografado.

Essa mescla de imagens de HQs com depoimento ganha auxílio luxuoso de moderna composição erudita do maestro mineiro Andersen Viana, cuja música emoldura as imagens e ajuda a criar a atmosfera que este filme propõe, uma visita a um herói do passado, que virou nome de logradouro, mas não frequenta, como deveria, nossos livros de História.

Sávio e Marko conseguem, em três minutos, em preto e branco (somente há cor num ruído final, que funciona como um marco que data esta presente homenagem), falar sobre Teodoro, sobre brancos e negros, sobre o sonho de relações sociais mais dignas.

Atiçam a curiosidade sobre este homem e fazem de 'Nego' uma carta de intenções, que, após os tais três minutos de duração, continua ecoando na memória de quem assiste. Esta permanência é uma teimosia, como a de Teodoro, a de não aceitar a pequenez que conspira pelo silêncio e contra nossa natural inclinação de sermos grandes.

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